FICHEIROS SECRETOS?
Fernando Pereira no site Pensar e falar Angola , publica um oportuno comentário sobre a recente aparição no mercado livreiro de uma obra da autoria de Leonor Figueiredo, que me obriga a repassar quanto desmascarada de um oportunismo jornalístico que está a querer ganhar "estofo" ao referir-se a Angola. Um país que se livrou do colonialismo português à custa de milhares de vidas e mortes de inocentes, independente desde 1975, mas que serve para continuar a servir de alvo para se arrecadarem uns tostões, no recurso a espertezas levianas que mais não são do que logros literários.
Repasso integralmente o texto que extraí
do referido site, onde Angola é tratada com verdade.
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A autora, Leonor Figueiredo, inicialmente jornalista do sensacionalista “Correio da Manhã”, e depois do asséptico ” Diário de Notícias”, resolveu fazer um livro, onde ao contrário do que sugere o título, poucos “ficheiros secretos” aparecem, numa de muita benevolência nesta avaliação.
Avultam no livro depoimentos, a maioria dos quais já reproduzidos noutras obras de igual jaez, e alguns relatos de “pesquisas”, que em nada tem a ver com a realidade nalgumas circunstancias, fazendo nalguns casos lembrar o 007, feito pelo inimitável Sean Connery, indiscutivelmente o melhor James Bond de todos.
Há alguns depoimentos interessantes do general Heitor Almendra, esse sim actor importante, de uma determinada fase, da conturbada história de Angola de 1974/75, e a quem se pede, que publique um documento circunstanciado do que se passou nesses tempos, para acabar de vez com algumas hipóteses, que se tem transformado rapidamente em teses, tantas vezes hiperbolizadas.
As razões do aparecimento deste livro, surgem num depoimento da autora a um jornal: “Nunca tinha pensado em pegar no assunto, até que, há uns anos, começaram a ser publicados livros de fotografias de Angola e Moçambique. Eu fiz essa reportagem, e nessa altura, em conversa com a Zita Seabra [editora da Alêtheia], que procurava material sobre as ex-colónias, disse-lhe a brincar: ‘se eu algum dia contasse a história da minha família...’. Diz-me ela: “escreva que eu publico”. E esta pequena conversa veio abrir um cofre que estava fechado a sete chaves, há muitos anos. Nós não mandamos na nossa cabeça, não é? Saltou qualquer coisa e decidi: ‘vou escrever a história do meu pai.’ Eu sempre achei que nós, retornados, e eu odiamos esta palavra , fomos mal compreendidos cá. “. A realidade é que sobre o pai ao longo do livro, os depoimentos são poucos, e do que nos apercebemos é que o leitmotiv vai-se desvanecendo, à medida que o livro vai decorrendo, com partes que não sendo totalmente plagiadas de outras obras já lidas e referenciadas, acabam por ser mais do mesmo.
Um livro para esquecer, e só a grandiloquência do título pode levar algum incauto a adquiri-lo, pois de ficheiros tem muito pouco e de secretos absolutamente nada.
Já que faz afirmações sobre certas pessoas, desprovida de uma enorme sensatez, e nalguns casos até extraordinariamente lesiva do seu bom nome e probidade intelectual e cívica, pois conheço-as bem e há muito tempo, acho que não devo ser condescendente para com a autora.
Para quem leu o livro do Botelho, dos generais Gonçalves Ribeiro, Silva Cardoso e Amaro Bernardo, escusa de ler este, pois é uma síntese francamente má de todos esses.
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