Álbum sobre percurso de Lúcio
Lara
será lançado este mês em Luanda
O itinerário político de LÚCIO LARA até à independência
nacional de Angola, proclamada em 11 de Novembro de 1975, está retratado num
álbum foto-biográfico que será lançado no dia 28 do corrente mês, em Luanda,
pela Associação Tchiweka de Documentação (ATD)
"Tchiweka 80 anos - Imagens de um percurso", é
o titulo da obra que estará a venda ao público a partir das 16 horas desse dia
no Museu de História Natural, indica uma nota da instituição chegada hoje à
Angop.
Na senda dos tês primeiros volumes do livro "Um
Amplo Movimento", editados por Lúcio Lara, onde se oferecem documentos da
luta de libertação nacional referentes ao período 1956-1964, a ATD elaborou uma
foto-biográfia, com vista a assinalar o 80º aniversário do seu patrono, Lúcio
Rodrigo Leite Barreto de Lara, também conhecido por "Tchiweka",
realça a nota.
Precisa que a iniciativa homenageando Lúcio Lara,
destina-se também a um grande número de protagonistas que directa ou
indirectamente estiveram ligados à luta de libertação nacional, de forma a
contribuir para preservar a memória e aprofundar o
conhecimento sobre a luta pela independência e pela
soberania nacional.
O álbum contém 209 páginas e é acompanhado por um CD que
reproduz a integralidade do livro e oferece fotografias e documentos
suplementares, tais como panfletos coloniais e do MPLA, recortes de imprensa
históricos, incluindo algumas gravações com a voz de Lúcio Lara, refere ainda o
documento.
Segundo a ATD, a obra culmina com extractos de
depoimentos de 21 companheiros e amigos de Lúcio Lara, dos quais se destacam as
memórias de Roberto de Almeida, Costa Andrade, Manuel Rui Monteiro, Pepetela,
Augusta Conchiglia, Rafael Limonta Moracén, ou análises mais académicas como as
de Céu Carmo Reis e Mabeko-Tali.
Nota - Conheci Lúcio Lara em 1949, em Benguela, quando ali estive a trabalhar no Rádio Clube de Benguela. Cheguei a estar encaminhado para assistir a uma reunião clandestina no antigo Cabo Submarino - na companhia do Aires Almeida Santos -, onde o eng. Falcão, do CFB também aparecia e, creio mesmo, era amigo de Lucio Lara e fazia a apologia da independência de Angola, mas com outras ideias bem distantes da linha popular (MPLA) a que pertencia Lara. Não sei e ainda estou para saber, porque é que uma hora antes da referida reunião, o Zeca Santos, colega do RC Benguela, me pediu para fazer a emissão por ele porque estava impossibilitado, com gripe e febre alta. Assim, gorou-se a melhor oportunidade que tive de conhecer o homem por quem nutro admiração e elevada consideração.
O Aires Almeida Santos - poeta angolano consagrado e envolvido na mesma luta clandestina -, prometeu-me nova oportunidade mas aconteceu algo que, se não estou enganado, a acção da PIDE-DGS, teve reflexos com o cerco apertado que aconselhava muita cautela. Creio mesmo que as reuniões deixaram de se fazer, com a prisão de alguns camaradas, entre os quais Lúcio Lara. Não tenho certezas.
Vinte e seis anos depois,
em 1975, no Huambo, tive a oportunidade de entrevistar Lúcio Lara, para a Rádio Nacional (ERH). Nem sequer deu para falarmos de Benguela e do Cabo Submarino.. falámos sim, se a memória não me atraiçoa, de certas interferências que Mobutu, presidente do Zaire (Kinshassa), estava levando a cabo com acções contra o MPLA (ele apoiava Holden Roberto, UPA- FNLA). E, lembro-me de que, com um sorriso malandro e próprio para a ocasião (eu estava a ser atrevido na questão) Lucio me respondeu: " Não sei de nada... você é que o diz". Claro... Inteligência diplomática foi vertente revolucionária que Lúcio Lara sempre soube usar na medida certa na hora certa.
Carlos Pereira
Nota - Conheci Lúcio Lara em 1949, em Benguela, quando ali estive a trabalhar no Rádio Clube de Benguela. Cheguei a estar encaminhado para assistir a uma reunião clandestina no antigo Cabo Submarino - na companhia do Aires Almeida Santos -, onde o eng. Falcão, do CFB também aparecia e, creio mesmo, era amigo de Lucio Lara e fazia a apologia da independência de Angola, mas com outras ideias bem distantes da linha popular (MPLA) a que pertencia Lara. Não sei e ainda estou para saber, porque é que uma hora antes da referida reunião, o Zeca Santos, colega do RC Benguela, me pediu para fazer a emissão por ele porque estava impossibilitado, com gripe e febre alta. Assim, gorou-se a melhor oportunidade que tive de conhecer o homem por quem nutro admiração e elevada consideração.
O Aires Almeida Santos - poeta angolano consagrado e envolvido na mesma luta clandestina -, prometeu-me nova oportunidade mas aconteceu algo que, se não estou enganado, a acção da PIDE-DGS, teve reflexos com o cerco apertado que aconselhava muita cautela. Creio mesmo que as reuniões deixaram de se fazer, com a prisão de alguns camaradas, entre os quais Lúcio Lara. Não tenho certezas.
Vinte e seis anos depois,
em 1975, no Huambo, tive a oportunidade de entrevistar Lúcio Lara, para a Rádio Nacional (ERH). Nem sequer deu para falarmos de Benguela e do Cabo Submarino.. falámos sim, se a memória não me atraiçoa, de certas interferências que Mobutu, presidente do Zaire (Kinshassa), estava levando a cabo com acções contra o MPLA (ele apoiava Holden Roberto, UPA- FNLA). E, lembro-me de que, com um sorriso malandro e próprio para a ocasião (eu estava a ser atrevido na questão) Lucio me respondeu: " Não sei de nada... você é que o diz". Claro... Inteligência diplomática foi vertente revolucionária que Lúcio Lara sempre soube usar na medida certa na hora certa.
Carlos Pereira

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