28 de abril de 2010

MUCUBAIS


OS MUCUBAIS NO SUL DE ANGOLA
são um povo que reivindica os direitos
de serem naturais e fieis à tradição
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| Fonte:  DIÁRIO DO GRANDE ABC |
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Muhimba, mukubal,mutimba, mudimba, muhakaona, mutua
 mudimba e muchivicua. 

Se você pouco sabe dessas tribos, está no mesmo patamar da maior parte das pessoas que vivem em Angola, onde a etnia Herero, que engloba todos esses grupos, representa aproximadamente 1% da população. Disposto a retratar o cotidiano de costumes chocantes para olhares preconceituosos, o fotógrafo publicitário pernambucano Sérgio Guerra passou cerca de 60 dias viajando pela região Sul angolana e acampando junto a essas comunidades. O resultado está no belíssimo livro "Hereros - Angola" (Editora Maianga, 260 páginas, R$ 190), lançado hoje na Livraria Cultura Villa Daslu (Av. Chedid Jafet, 131. Tel.: 3170-4058), em São Paulo.
Acompanhado de equipe, Guerra conquistou a confiança dos grupos, que têm na criação de gado um dos pontos fundamentais de sua cultura. "Eles têm muito interesse em manter suas tradições, querem ser conhecidos. Por isso nos deixaram chegar perto", conta Sérgio. A viagem ainda rendeu um CD de áudio com gravações de campo que está encartado no livro e deve se transformar em uma série documental para a TV.
A julgar pelos registros de Guerra, a relação de confiança e respeito estabeleceu-se totalmente. Parto, luto, sacrifício de animais, circunscisões, extração de dentes, festas e ritos de passagem. A nação herera não escondeu do fotógrafo nenhum dos aspectos que fazem com que o homem contemporâneo os considerem primitivos.Os depoimentos explicitam também as riquezas hereras, representadas pelo gado e a solidariedade. Eles não fazem uso do cuanza novo, a moeda angolana. Qualquer negociação que façam é por meio dos animais, utilizados também como herança e dote. É do leite que extraem o material que passam na pele para se limpar - tomar banho não faz parte dos costumes.
Mas, por mais exóticos que os hábitos sejam, a convivência mostrou que o principal aspecto desse povo é o afiado senso de solidariedade. 


"Eles dividem o que têm entre todos, das crianças aos mais velhos. É uma lição para nós, que estamos acostumados a valorizar o individualismo. E depois ainda dizem que eles é que são primitivos",
afirma o fotógrafo.
Este é o quinto livro que Guerra publica sobre o país africano. Há 12 anos, é responsável pela comunicação angolana e divide seu tempo entre Luanda e Salvador durante o ano.


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