27 de junho de 2011

FAF - PEDRO NETO
o Presidente eleito


O Novo Presidente da Federação Angolana de Futebol, anunciado oficialmente na Quinta – feira, 23 de Junho, em Luanda, depois da divulgação dos resultados definitivos do pleito eleitoral concedeu à Rádio Nacional de Angola - Rádio5, na rubrica GRANDE ENTREVISTA, o primeiro bate-papo e sério. Com a devida vénia, aqui reproduzimos o texto retirado on-line do sítio da RNA-R5
___________________________________
PEDRO MORAIS NETO, conversou com o locutor da R5, Vaz Kinguri.
R5 - Qual foi a chave desta vitória?
PMN - A minha opinião é que a votação foi feita numa miscelânea entre programas e perfil dos candidatos. Enquanto nós começamos a campanha com atitudes extremamente agressivas, eu até podia fazer uma comparação com aquilo que é o nosso futebol, com jogadas de lançamento longo para marcar golo, outros começaram a jogar da baliza para frente, passando a bola da defesa, para o meio campo, entregando ao ataque para marcar golo. O que é que eu quero dizer com isto, que a agressividade, com que se atacou este processo eleitoral e esta campanha nem sempre foi a principal tónica para decidir, junto da população votante, o que é que seria o resultado deste pleito eleitoral.

R5 - Está a falar da outra lista?

PMN - Estou a falar da Lista B. Por estes motivos e esta comparação que estou a fazer, creio que, o que determinou estes resultados foram o realismo com que a Lista A, encarou este processo eleitoral e o que matou na minha opinião a não escolha da lista B foi uma agressividade que não assentava em aspectos concretos, pois, não passavam de alguns chavões teóricos, na minha opinião, porque tivemos a oportunidade de discutir em alguns debates, nomeadamente, em relação a diferença que existia entre uma gestão eminentemente empresarial num país, com um desenvolvimento económico que ainda tem algumas deficiências.
Do nosso lado, nós apostávamos, fundamentalmente, na linguagem de que a Federação Angolana de Futebol, deve constituir-se numa principal parceira do Estado, para levar a cabo o desenvolvimento do Futebol, e creio que foram estes aspectos que calaram bem fundo junto da população votante, pois, o realismo marcou a diferença, entre uma e a outra lista.
R5 -  58 votos para si, 27 para Artur Almeida. Esperava ganhar com esta margem considerável de votos?


PMN - Eu não me atenho muito aos resultados, não é que eu deixasse de prever ou não. A competitividade com que este processo decorreu não justifica esta diferença, não justificava esta diferença.

Todos nós sabemos que este processo, decorreu de forma atípica quando se dizia que a Lista B, tinha as Associações todas do seu lado, na minha opinião as associações deviam ser o reflexo dos clubes, e não elas isoladamente emitirem opiniões. Quando nós tivemos oportunidade de trabalhar com os clubes fizemos um trabalho tão profundo que sabíamos de antemão que iríamos ter os clubes do nosso lado, ao termos os clubes do nosso lado, e tendo a certeza da diferença entre quantidade de clubes e a quantidade das Associações era abismal, conquistado o votos dos clubes, pois, com certeza a diferença teria que ser muito grande.


RÁDIO 5: Sr. Presidente venceu em quase todos os círculos eleitorais, venceu em dez círculos provinciais, houve seis empates, e perdeu em dois, no Kuando – Kubango, 1-0, e no Kwanza – Sul, por 4-2. Esta derrota no Kwanza – Sul mexeu consigo?


Presidente da FAF Pedro Neto: Mexeu comigo, mas traçou um pouco a verdade, não diria a verdade desportiva, porque não houve jogo em si, mas a forma correcta como decorreu este processo eleitoral.
Basta dizer que quem propôs a minha candidatura, foi exactamente, não diria o círculo eleitoral do Kwanza – Sul, mas a Província do Kwanza – Sul, através da sua Associação provincial.

RÁDIO 5: E como é que se explica o facto de perder numa Província, onde APF local subscreveu a sua Lista?

Presidente da FAF Pedro Neto: Precisamente, porque, eu digo que houve situações atípicas, porque as Associações sempre agiram em discordância com os Clubes. Significa que naquela Província com todo realismo com que eu gosto de falar a Associação Provincial falou de modos próprios sem consulta dos clubes, e os clubes não aderiram a mim, entretanto, a Associação estava a falar em nome dos Clubes de forma incorrecta e isso foi constatado nos resultados havidos. Quer dizer, na minha opinião a actividade foi desenvolvida junto das Associações foi uma actividade que não contou com o suporte integral dos clubes, no Kwanza – sul foi isto que se passou, a Associação provincial falava de que era a Província, eram os clubes que estavam a suportar a minha candidatura, mas na realidade era a Associação provincial de forma isolada.

RÁDIO 5: Acha que aquilo que aconteceu na sua óptica tem muito a ver com o facto de nas Províncias do país, as APFs e os Clubes não falarem a mesma linguagem?

Presidente da FAF Pedro Neto: Se é que não falam a mesma linguagem, talvez não me atreva a dizer isto, agora, não existe diálogo suficiente para que os assuntos possam ser capitaneados pelas Associações, interpretando o sentimento do clube e durante as eleições ficou provado que existe senão um divórcio, pelo menos não há tentativa de congregar ideias para que estas estruturas de carácter provincial possam falar a mesma linguagem.

RÁDIO 5: Na maior parte dos casos os clubes não se revêem nas APFs?

Presidente da FAF Pedro Neto: Não é que não se revejam, mas não existe a tentativa de encontrarem-se num único ponto para o desenvolvimento do futebol, para resolver as questões do futebol, quem sabe se também as nossas Associações têm debilidades do ponto de vista organizativo, e do ponto de vista administrativo. Todos nós temos noção de que os clubes cresceram mais do que as Associações, têm mais capacidades material e quiçá, organizativa do que as Associações e por isso as vezes não se revejam nas Associações, mas é preciso inverter este curso.

RÁDIO 5: Como Presidente da FAF, como é que pensa inverter esta situação?

Presidente da FAF Pedro Neto: Durante a campanha nós falamos sobre isso, é devolvendo autoridade suficiente as Associações, dando-lhes algumas dignidade, dos pontos de vinda organizativo, administrativo, funcional, nós temos que trabalhar com as autoridades locais para que as Associações de futebol sejam precisamente, o ponto mais alto da actividade desportiva na Província, só assim com certeza os clubes se vão dirigir as Associações para a resolução dos seus problemas.
Eu tenho visto, principalmente, ao nível de Luanda, que é muito mais frequente os clubes de dirigirem a FAF, do que a Associação de Futebol, é preciso inverter estas coisas.

RÁDIO 5: Depois da vitória Sr. Presidente já conversou com Artur Almeida?

Presidente da FAF Pedro Neto: Artur Almeida teve um gesto magnânime ainda no decorrer do escrutínio, ainda nem sequer tinha terminado o escrutínio, mas a diferença pontual era acentuada, e da Província de Cabinda onde ele se encontrava a acompanhar o processo eleitoral dignou-se fazer um telefonema que me calou bem fundo e considerei que estava perante um «adversário», com elevado carácter de competição e que eu abracei agradecendo o gesto: “Mais velho parabéns pelo resultado”, disse ele, e ainda nem sequer tinha terminado o escrutínio. Por esta atitude eu quero deixar aqui bem claro que este processo foi para mim um dos processos com maior lisura, porque não é a primeira vez que eu participo de uma eleição…

RÁDIO 5: Há uma grande expectativa a volta desta sua entrada na Federação Angolana de Futebol, FAF, diz sempre que vai trabalhar com base neste mandato de um ano. Eu pergunto, de concreto, o que é que será possível fazer neste mandato com o Presidente Pedro Neto, na FAF?

Presidente da FAF Pedro Neto: Eu sou apologista de que aquilo que as pessoas querem ouvir de mim não vão ouvir. Eu não vou lançar nem chavões, nem propostas bombásticas, eu vou ater-me as medidas administrativas, e medidas desportivas, a minha gestão tem que se ater nestes dois princípios.
As questões desportivas eu não tenho mais nada para inventar neste espaço de tempo, ao nível da selecção é preciso dar continuidade aquilo que foi feito, temos dois ou três compromissos, deveremos ter uma data FIFA, deveremos ter torneios internacionais para resolver, e a nível de questões desportivas, e selecção A, este é o nosso propósito, acompanhar, controlar, não permitir que haja uma quebra do trabalho já desenvolvido para permitir atingir os objectivos preconizados. A nível das competições africanas, onde as nossas equipas estão a competir fazer o seu devido acompanhamento, neste momento, já encetei conversações com o Inter sobre a sua próxima jornada, é necessário que a nova Direcção da FAF, acompanhe as equipas que estejam nas competições africanas.
É preciso que a nova Direcção da FAF penetre em como está a decorrer o nosso campeonato de futebol nacional. Vamos substituir órgãos que até agora geriam o nosso campeonato nacional, nomeadamente, Conselho de arbitragem, conselho jurisdicional, conselho de disciplina, conselho técnico, órgãos que vão agora ser substituídos.

RÁDIO 5: Substituir em relação as pessoas, mas os Órgãos mantém-se?
Presidente da FAF Pedro Neto: Quando estou a falar de órgão é na sua composição, não na sua orgânica. O que é que eu quero dizer, este trabalho de transição será um trabalho tão aturado que nós não estamos a procura de trabalho na Lua, não, o trabalho está aqui na Terra.

RÁDIO 5: Do ponto de vista Administrativo, Sr. Presidente Pedro Neto vai herdar o passivo e o activo da Federação Angolana de Futebol, e sabemos que a FAF tem dívidas com os jogadores, dívidas com técnicos das Selecções nacionais e até mesmo com fornecedores. Como é que pensa abordar esta questão? Acha que sanear é o melhor caminho?


Presidente da FAF Pedro Neto: Não pretendo complicar o início da minha gestão com este fardo da dívida adquirida pela Direcção cessante.

RÁDIO 5: Mas tem informações que ela existe?

Presidente da FAF Pedro Neto: Ela existe. É uma dívida que foi constituída no trabalho, eu tenho consciência de que esta dívida foi constituída na actividade da FAF, e se ela está confirmada como dívida, o tratamento dela tem que ser encontrada nos órgãos que geriram a FAF, e que têm a responsabilidade, digamos assim, de monitorar a FAF.
O que é que eu estou a dizer com isto, que não estou preocupado como é que esta dívida vai ser paga. Como cidadão estou, mas como Presidente da FAF, eu pretendo que me digam o seu mandato começa no dia 01 de Agosto, e partir do dia 01 de Agosto, até ao fim do seu mandato a sua gestão vai contar com o orçamento que eu vou ter que apresentar, com os patrocínios que eu vou ter que arregimentar e com todas as outras formas de recolha de fundos para a actividade da Federação.

RÁDIO 5: É com estas fontes que pretende driblar a situação na Federação?

Presidente da FAF Pedro Neto: Não! A dívida não pode ser uma responsabilidade desta Federação, desta Direcção. A dívida tem que ser, tem que haver um corte e a dívida tem de ter tratamento especial.

RÁDIO 5: Onde?

Presidente da FAF Pedro Neto: Nos órgãos competentes! Porque se eu me preocupar em gerar dinheiro para pagar dívidas, o que é que vai acontecer, eu para sobreviver, vou ter que sobreviver com dívidas, porque o dinheiro arregimentado para funcionar está a pagar dívidas e quando eu estiver a terminar o meu mandato estou na mesma situação que está a direcção cessante.

RÁDIO 5: Mas há pessoas que ainda estão na Federação, vão trabalhar com esta situação? Como é que pensa gerir este problema? O caso concreto de Lito Vidigal, sabemos que há uma dívida que a FAF tem com o técnico e com os seus colaboradores e quanto nós sabemos ele vai continuar a ser o técnico ou o treinador da selecção de futebol.
Como é que pensa continuar a trabalhar com esta pessoa, sabendo que há uma dívida com ela?
Presidente da FAF Pedro Neto: Lito Vidigal pode ficar descansado que nós não pretendemos ser uma federação pouco séria, se queremos trabalhar com Lito Vidigal, e todos nós sabemos que ninguém trabalha para aquecer, a primeira preocupação no domínio das selecções é resolver o problema da dívida, mas é um problema pontual. Dívidas com os técnicos, o problema dos atletas, dos prémios, isto são questões muito pontuais e que se tu queres funcionalidade dentro das selecções deves resolver este problema.
Agora, dívida com a praça. Hotéis onde a selecção não pode entrar, por exemplo, eu não vou assumir, este problema tem de ser assumido pelas estruturas de direito, a não ser que se me diga você vai ter que assumir, mas a partir deste e daquele pressuposto. Porque a Federação não terá capacidade para arregimentar fundos para atender a dívida constituída e criar condições para o seu funcionamento permanente.

RÁDIO 5: Ou seja a gestão financeira da sua Direcção estará virada para o que existe daqui para frente?

Presidente da FAF Pedro Neto: Eu disse que a partir do dia em que eu for empossado, começar uma nova vida para a Federação, nessa nova vida vamos atender algumas questões pontuais, tivemos agora a oportunidade de discutir o problema dos técnicos, problema da sua acomodação, o problema dos seus salários, o problema dos prémios de jogos, são questões fáceis ou talvez possíveis de se resolver, agora as grandes dívidas com a praça, eu acredito que não teremos capacidade e pode até criar embaraços no desempenho da Federação que com certeza terá muitos desafios em que a componente financeira será determinante.
Por exemplo, nós estamos a falar em necessidade de melhorar a qualidade das Associações, é preciso prever como é que este trabalho vai ser desenvolvido se eu estiver preocupado a pagar as dívidas de há dez anos não vou resolver problemas nenhum.

Sem comentários:

Enviar um comentário