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18 de agosto de 2011

HEREROS ANGOLA

Sérgio Guerra/Divulgação

A mostra conta com cerca de 100 fotos selecionadas pelo artista plástico e curador Emanoel AraujoA mostra conta com cerca de 100 fotos selecionadas pelo artista plástico e curador Emanoel Araujo
A exposição Hereros Angola encerra, neste final de semana, sua bem sucedida temporada no Museu Afro Brasil, em São Paulo. A mostra, que reúne cerca de 100 fotos do pernambucano Sérgio Guerra, segue agora para o Museu Nacional de Brasília, onde entra em cartaz a partir do dia 13 de setembro.
Hereros Angola é resultado de uma relação de amor profundo entre o fotógrafo e o país africano. Há quase 15 anos, Guerra, responsável pela comunicação do governo angolano, vive na ponte-aérea Salvador-Luanda. Este contato estreito fez com que produzisse um dos mais completos registros fotográficos das 18 províncias angolanas e de suas populações.
A partir do rico material, lançou cinco livros, o mais recente, Hereros, serviu de base para a exposição. As imagens foram selecionadas pelo artista plástico e curador Emanoel Araujo, que comemora o sucesso de público da mostra. "Retumbante", em suas palavras.
Ele destaca um dos méritos de Hereros Angola: despertar a curiosidade do espectador, ajudando desconstruir uma visão deturpada da África que muitos ainda carregam.
- Quando você vê uma sociedade nômade com todo esse requinte, toda essa gente muito bonita, há uma desconstrução dessa visão exótica e folclórica em relação à África. A ideia da exposição é um pouco esta. É realmente muito bonita.
Além das fotografias, um filme ajuda a contar um pouco mais sobre as tradições e os hábitos cotidianos do povo herero. O público é surpreendido logo no começo, ao ser recepcionado pelo holograma de uma mulher herero, do grupo Muhakona, falando sua língua nativa.
O povo herero é proveniente da migração dos bantos da região oriental da África. Sua população atualmente é estimada em 240 mil pessoas, vivendo na Namíbia, Botsuana e Angola.

28 de abril de 2010

MUCUBAIS


OS MUCUBAIS NO SUL DE ANGOLA
são um povo que reivindica os direitos
de serem naturais e fieis à tradição
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| Fonte:  DIÁRIO DO GRANDE ABC |
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Muhimba, mukubal,mutimba, mudimba, muhakaona, mutua
 mudimba e muchivicua. 

Se você pouco sabe dessas tribos, está no mesmo patamar da maior parte das pessoas que vivem em Angola, onde a etnia Herero, que engloba todos esses grupos, representa aproximadamente 1% da população. Disposto a retratar o cotidiano de costumes chocantes para olhares preconceituosos, o fotógrafo publicitário pernambucano Sérgio Guerra passou cerca de 60 dias viajando pela região Sul angolana e acampando junto a essas comunidades. O resultado está no belíssimo livro "Hereros - Angola" (Editora Maianga, 260 páginas, R$ 190), lançado hoje na Livraria Cultura Villa Daslu (Av. Chedid Jafet, 131. Tel.: 3170-4058), em São Paulo.
Acompanhado de equipe, Guerra conquistou a confiança dos grupos, que têm na criação de gado um dos pontos fundamentais de sua cultura. "Eles têm muito interesse em manter suas tradições, querem ser conhecidos. Por isso nos deixaram chegar perto", conta Sérgio. A viagem ainda rendeu um CD de áudio com gravações de campo que está encartado no livro e deve se transformar em uma série documental para a TV.
A julgar pelos registros de Guerra, a relação de confiança e respeito estabeleceu-se totalmente. Parto, luto, sacrifício de animais, circunscisões, extração de dentes, festas e ritos de passagem. A nação herera não escondeu do fotógrafo nenhum dos aspectos que fazem com que o homem contemporâneo os considerem primitivos.Os depoimentos explicitam também as riquezas hereras, representadas pelo gado e a solidariedade. Eles não fazem uso do cuanza novo, a moeda angolana. Qualquer negociação que façam é por meio dos animais, utilizados também como herança e dote. É do leite que extraem o material que passam na pele para se limpar - tomar banho não faz parte dos costumes.
Mas, por mais exóticos que os hábitos sejam, a convivência mostrou que o principal aspecto desse povo é o afiado senso de solidariedade. 


"Eles dividem o que têm entre todos, das crianças aos mais velhos. É uma lição para nós, que estamos acostumados a valorizar o individualismo. E depois ainda dizem que eles é que são primitivos",
afirma o fotógrafo.
Este é o quinto livro que Guerra publica sobre o país africano. Há 12 anos, é responsável pela comunicação angolana e divide seu tempo entre Luanda e Salvador durante o ano.